HIIT



O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), apesar de estar na “moda” e muitas pessoas acharem que é algo novo, é praticado e estudado há muitos anos. Emil Zatopek, a locomotiva humana, já fazia uso do método intervalado de alta intensidade, inclusive para provas longas, haja vista que é o único homem da história a vencer os 5, 10 e 42 km numa edição de jogos olímpicos.

Em relação às pesquisas, também temos relatos de estudos e evidências sobre o “HIIT” desde a década de 60, principalmente com o renomado professor e pesquisador sueco, Irma Astrand (1927-2016) e seu grupo de pesquisa.

É importante ressaltar que o HIIT é um trabalho, na grande maioria das vezes, de predominância aeróbia e o fato de ser “alta intensidade” não reduz a importância da via energética aeróbia, bem como mostra Gastin et al. (2001), que a partir dos 75” a contribuição do sistema oxidativo já e predominante, sem deixar de lado a integração e contribuição dos outros sistemas (anaeróbio alático e glicolítico) a todo momento e em “qualquer exercício”.

Enfim, depois que assumiu essa nova roupagem… de “HIIT”, o treinamento intervalado passou a ser mais evidenciado principalmente no que tange à saúde (inclusive para grupos especiais) e estética (emagrecimento, por exemplo) e, mesmo que já utilizado a muito como método de evolução da performance por atletas de elite, hoje ganha cada vez mais corpo também para os atletas amadores, tanto os de endurance (corrida, natação, ciclismo, triathlom, etc), quanto em modalidades acíclicas (lutas, esportes coletivos, etc).

E quando sei que já estou trabalhando em “alta intensidade”??? A ciência preconiza, a muito tempo, que a alta intensidade é caracterizada em intensidades a partir do limiar anaeróbio (ponto de transição da predominância entre as vias aeróbia e anaeróbio). Desta maneira podemos pensar o HIIT e as altas intensidades assim:

  1. No L2;
  2. Entre L2 e VO2max;
  3. No VO2 max;
  4. Acima do VO2 max ou Supra-máxima;
  5. All out.

Particularmente gosto de trabalhar e também podemos pensar no HIIT subdividido em modelos segundo alguns autores:

  1. SIT (Sprint Interval Training);
  2. RST (Treinamento de Sprints Repetidos);
  3. HIIT Curto (Estímulos até 60” e recuperações menores ou no máximo iguais);
  4. HIIT Longo (Estímulos acime de 60”/90” com recuperações maiores);
  5. HIIT Body Work (HIIT com o peso corporal).

Creio que o importante é pensar no HIIT como mais uma boa ferramenta para alcançar os objetivos de cada aluno/atleta, principalmente levando em consideração o perfil comportamental e sócio afetivo de cada pessoa ao invés de, como muito temos visto, compará-lo com outro método, principalmente o treino contínuo, outra excelente ferramenta, e julgá-lo como melhor ou pior.

Outro problema que vejo com o HIIT “moderninho” é a dificuldade de os professores pesquisarem, lerem TODO o artigo, por exemplo, entenderem e aplicarem o conceito de acordo com seu “ESTADO DE ARTE”, sem “ferir a ciência” do treinamento. Pois é muito comum, a meu ver, profissionais utilizando protocolos de pesquisa como métodos de treinamento de maneira engessada e “burra”.

Nesse sentido vale ressaltar que temos inúmeras variáveis (ver lista abaixo) para manipular e consequentemente gerar as repercussões fisiológicas esperadas, de maneira individualizada e, principalmente, gerando ADERÊNCIA ao praticante para que ele possa além dos efeitos agudos do treinamento, colher principalmente os efeitos crônicos que, estes sim, farão toda a diferença na saúde das pessoas, nossa maior missão:

  1. Tipo do estímulo;
  2. Duração do estímulo;
  3. Intensidade do estímulo;
  4. Tipo do intervalo;
  5. Duração do intervalo;
  6. Intensidade do intervalo;
  7. Quantidade de blocos (estímulos/intervalos);
  8. Frequência semanal;
  9. Associação com outros métodos de treino.

E não se esqueçam que o segredo do “sucesso” é um ótimo controle da CARGA de treino, tanto na sua prescrição (Carga Externa), quanto na repercussão causada ao organismo (Carga Interna) e nesse sentido, para finalizar, podemos pensar na aplicação e controle das cargas de treinos, parametrizados por variáveis:

  1. Biológicas (FC, %FCMax, VO2máx, Lactato, etc)
  2. Físicas (Potência, Velocidade, Pace, etc)
  3. Subjetivas (Percepção Subjetiva de Esforço, Escala de Borg, etc).

Bons treinos e bons estudos!

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